Marilena Chauí, em O que é Ideologia, procura demonstrar as determinações gerais da ideologia, sob diversos pontos de vista, analisando minuciosamente suas características desde o surgimento.
A Obra é subdividida em três capítulos de estrutura formal em terceira pessoa. O primeiro capítulo, Partindo de alguns exemplos, relata relações de causa e efeito dos processos formadores da ideologia, através de exemplos de sociedades e idéias que vão desde o século XII ao XXI.
Uma das maiores preocupações dos filósofos gregos era a explicação do movimento, suas causas e conseqüências, afim de atingir a explicação causal do universo, uitizaram-se de diversas ciências, à partir desta linha de raciocínio que de início nada parece indicar a menor relação com a realidade social grega, trouxe aos gregos a compreensão da divisão social de sua sociedade. A partir daí os fenômenos políticos, religiosos, econômicos e culturais ganharam um sentido nunca previsto antes, e a ideologia começou a ser identificada e desenvolvida de acordo com a situação histórica de cada época.
O segundo capítulo, Histórico do Termo, define o termo, relata seu surgimento e transformação ao longo do tempo, através de um breve histórico, e demonstra ao leitor elementos formadores da ideologia.
O termo ideologia aparece pela primeira vez em 1801 no livro de Destutt de Tracy, Eléments dídéologie, com ele pretendia elaborar uma ciência da gênese das idéias, elaborou em cima disso uma teoria sobre as faculdades sensíveis, responsáveis pela formação de todas as idéias: querer(vontade), julgar(razão), sentir (percepção) e recordar(memória).
A mudança da sua função inicial, e consequência indireta de seu sentido pejorativo, ocorreu devido aos ideólogos, alemães, franceses e italianos, intelectuais que passaram a ter esta “ciência” como ofício, e passaram a designar a ideologia que inicialmente designava uma ciências natural de aquisição, pelo homem, das idéias caladas sobre o próprio real, à um sistema de idéias condenadas a desconhecer sua relação real com o real.
O último e mais extenso capítulo, é de fundamental importância para a compreensão do jogo de idéias apresentado pela autora, A concepção Marxista da Ideologia, trata dos diversos conceitos de ideologia existentes, guiados pela concepção Marxista do termo.
A ideologia resulta da prática social, nasce da atividade social dos homens no momento em que estes representam para si mesmos essa atividade, que é sempre necessariamente invertida, ela é o processo pelo qual as idéias da classe dominante se tornam idéias de todas as classes sociais, se tornam idéias dominantes. De modo que a classe que domina no plano material também domina no plano espiritual.
Todo esse procedimento consiste naquilo que é a operação intelectual por excelência da ideologia: a criação de universos abstratos, isto é, a transformação de idéias particulares da classe dominante em idéias universais de todos e para todos os membros da sociedade.
Portanto a ideologia é resultado da divisão social do trabalho, isto estabelece uma aparente autonomia do trabalho intelectual, dos pensadores, produtores deste trabalho, frente ao trabalho material e uma consequente autonomia dos produtos desse trabalho, isto é, das idéias. Tal autonomia é produzida de modo que a dominação de homens sobre homens não seja percebida porque aparece como dominação das idéias sobre todos os homens.
A ideologia é considerada então um instrumento de dominação de classe, este que se for perceptível como violência e exploração, é considerado poder injusto e ilegítimo, os explorados teriam então o direito de recusá-la. Por esse motivo, ela têm como papel específico: impedir que a dominação seja percebida na sua realidade concreta, realizando este feito através das leis e do direito. Assim é construída uma rede imaginária de idéias e valores que possuem base rela, mas de tal modo que essa base seja reconstruída de modo invertido e imaginário.
Graças a este tipo de procedimento, a ideologia burguesa, por exemplo, mantém sua hegemonia até hoje, mesmo sobre os que já foram vencidos por ela, pois estes interiorizam a suposição de que não são sujeitos da história, mas apenas seus pacientes.
Além de procurar fixar seu modo de sociabilidade através das instituições determinadas, os homens produzem idéias ou representações pelas quais procuram explicar e compreender suas próprias vidas individuais, sociais e suas relações com a natureza, com o sobrenatural. Este conjunto de idéias mais ou menos sistemático de crenças políticas, religiosas e culturais são determinadas por uma parcela da sociedade.
Essas idéias ou representações, no entanto, tenderão a esconder dos homens o modo real como suas relações sociais foram produzidas e a origem das formas sociais de exploração econômica e de dominação política.
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